Crítica: Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008)

Sem trilha sonora, a cena inicial do longa mostra um soldado indo desarmar uma bomba. Totalmente equipado e tendo, de longe, o reforço dos seus colegas. A tensão toma conta do espectador a cada passo e respiração do personagem. O que eu contar a partir daí será spoiler.

De condução sempre tensa e angustiante, o filme passa sempre facilmente do gênero guerra para o drama. O enfoque aqui não é a Guerra do Iraque, mas sim um esquadrão antibombas do exército americano composto por três homens: James (Jeremy Renner), Sanborn (Anthony Mackie) e Eldridge (Brian Geraghty). Cada um dos personagens têm formas de pensar e agir completamente diferentes. Cada um é influenciado pela guerra de maneiras distintas. A profundidade do que poderia ser mais um show de tiros gratuitos está nisso: o drama bem explorado a partir do terror psicológico das personagens.

Essa carga dramática não isenta o filme de ser um divertimento no que se refere também à ação. Óbvio, antes de tudo é um filme que se não for de guerra, pelo menos está na guerra. Sempre tensas, como a do início, as cenas de combate são primorosamente bem apresentadas pela equipe da diretora Kathryn Bigelow, tanto as tomadas, quanto a fotografia. Elas são quentes, passam calor, como deveria de ser. Ora, o cenário trata-se de um deserto. Em uma cena que Sanborn está de snipper atocaiando o inimigo, com James a ajudá-lo, senti a agonia dos personagens de passar horas ao sol sem quase proteção.

A direção de Bigelow, apesar de ser para o industrial cinema americano, tem requintes de arte. Os planos-detalhe ganham espaço no longa. Em vez de mostrar um corpo carbonizado em uma cena, ela simplesmente expõe mostrando o local, o fogo e depois um sapato perdido, sujo e rasgado em meio a destroços.

Guerra ao Terror é inteligente. Melhor inclusive do que Soldado Anônimo, outro filme que expõe mais o soldado do que a guerra em si. Esse, por sua vez, mostra a agonia dos soldados em não conseguir sequer atirar, frente a uma guerra tão de botões. Já que estou comparando Guerra ao Terror com Soldado Anônimo, só não consigo julgar ambos como perfeitos por terem desfechos não tão interessantes.

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