Sem categoria | qui, 17 de abril às 18:29 • 31 comentários6.502 views

Xinga, Alicate!

Por: Frederico Fagundes

Isso me faz lembrar algo que aconteceu com o Alicate, grande zagueiro daquele nosso time do Canachuê em 2000/2001. Mas antes, preciso contar quem era Alicate.

Alicate tinha as pernas tortas, tortinhas de dar dó. Mas era zagueiro. Sempre preferiu o Rivarolla, achava o Gamarra muito metrosexual. Alicate não sorria. Ganhamos muitos jogos graças a aquele abençoado cotovelo.

Pois bem, em meados de 2001, quando comemorávamos num bar mais uma vitória sobre os frescos do Santa Rosa, uma jovem, baixa e de seios grandes deu bola para o nosso amigo. Volta e meia ela olhava, sorria, olhava de novo, bebia e, no final, sempre sorria. Alicate viu, eu vi, todos viram que aquela era a noite do zagueiro.

Alicate nunca se deu bem com as mulheres. Normalmente era o Buricá, nosso meia esquerda, que tinha as melhores chances. No campo nos colocava na cara do gol, fora dele matinha um excelente aproveitamento dentro da área. Naquela noite, até ele se surpreendeu com a sorte do Alicate.

O zagueiro não quis perder a chance. Pensou como um matador e foi em direção a moça. Não houve tempo para cantadas, drinks ou coisas do tipo. A pegou pelo braço e disse: “hoje tu és minhaâ€.

Bastou poucos minutos para os dois saírem em direção a um motel. No bar, festejávamos a vitória do time. No carro, Alicate via que a festa estava apenas começando. No quarto do motel, ela se fez.

A menina, jovem, baixa e de seios grandes, tal como uma onça com dor de dentes, atacou Alicate. Ele, meio assustado, não se fez de lateral direito (laterais direitos são péssimo com mulheres) e foi entrando no ritmo. Rapidamente já se via despido na cama com a nefasta jovem, baixa e peituda.

Enquanto os dois já copulavam, a jovem, baixa e peituda surpreendeu seu amante. Num breve momento de insanidade sexual, disse: “Me xinga!â€.

E disse de novo, silabicamente e em caixa alta: “ME XIN-GA!â€.

Alicate não sabia o que fazer. Não esperava aquela situação, não tinha ouvido falar de mulheres que gostavam de ser xingadas, não entendia dessas coisas. Ele era um cara tradicional, nem de preliminares gostava.

Quando a jovem, baixa e peituda já perdia a paciência e gritava aos socos “me xinga, me xinga, me xingaâ€, Alicate, enfim, xingou:

- “Sua gorda!â€.

A respiração foi diminuindo, o nheconheco da cama não existia mais e os únicos gemidos eram do filme vagabundo que passava na TV. A jovem, baixa e peituda levantou-se, vestiu-se e, antes de exigir que fosse levada embora, xingou.

- “Seu zagueiroâ€.

Esse era o problema de Alicate. Ele era zagueiro. Nunca será um, tipo, meia esquerda.

Nunca será.

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Sem categoria | qui, 28 de fevereiro às 17:22 • 33 comentários13.511 views

E agora, blogueiro?

Por: Frederico Fagundes

Julho de 2006: a revista Época traz como matéria de capa o seguinte tema: Blog. O título, acho, era: Blog, os novos campeões de audiência. Não foi aquele o marco zero da difusão desse meio de comunicação, porém, auxiliou – e muito – a descoberta desse veículo.

De lá pra cá, muita coisa mudou. Alguns blogs como KibeLoco e, principalmente, Jacaré Banguela influenciaram muita gente a criar suas páginas pessoais. Digo “principalmente o Jacaré Banguela†não por egocentrismo, capaz. O JB nasceu graças a uma influência do KL. Contudo, milhares de blogs surgiram graças ao sucesso repentino do JB.

Aquela idéia de dois adolescentes do distante Mato Grosso que de repente tinha 80 mil acessos diários, beijinhos da Juliana Paes, coisa e tal e talecoisa parecia simples. Devido ao JB o público leitor de blogs viu: qualquer imbecil pode ter um blog. E é verdade. Fazer sucesso, bom, aí são outros quinhentos.

Vimos o nascimento e a popularização do Youtube no Brasil. Nós, blogueiros, criamos celebridades. Fizemos de Jeremias José um rei. E de Ruth Lemos uma rainha-inha. Fomos os primeiros, antes mesmo dos grandes portais e canais de TV, a veicular o vídeo da Cicarelli enterrando o tatuí na Espanha. Ganhamos respeito. E vimos de camarote o Silvio Santos tomar no cu.

Vem 2007, a publicidade ataca. Agências criam departamentos voltados apenas ao chamado marketing viral. Blogs anunciam, vendem, promovem, convencem e deixam uma dúvida no ar: quem se vende mais barato, o blogueiro ou o jornalista? Mas isso é tema pra outro artigo.

Aí chega 2008. Ninguém, ou melhor, quase ninguém faz um blog sem pensar em arranjar uma grana, lucrar com propagandas. Como disse certa vez Alexandre Inagaki, “foi-se o tempo do bloguismo molequeâ€. Foi-se mesmo. Estamos na época dourada dos blogs. Muitos anunciantes, muito dinheiro, muita gente querendo entrar nesse mercado. E mamar nessa teta, claro.

Mas, e agora? Qual será, daqui para frente, o futuro dos blogs? Você se lembra qual foi a última grande celebridade criada pela internet? Onde está o Jeremias de hoje? Quem é a grande celebridade da Internet?

Elas sumiram. Motivo? Não sei. Não sei mesmo. E também não sei qual será o futuro dos blogs. A verdade é que, no momento, estamos estagnados. Sem perspectiva. Apenas com as mesmas apostas e palpites vazios da Época 2006: blogs migrando para portais e virando referencia em programas de TV.

É preciso inovar, estamos ficando chatos e comerciais demais. O leitor percebe e, uma hora, cansa. Talvez esse profissionalismo todo, o chamado problogger, tenha atrapalhado. As coisas eram melhores quando tudo era amador. Sem grande pretensão.

O olho é grande. Paciência.
E aos que pretendem iniciar um blog, uma dica: dinheiro é bom, mas ter prazer em blogar é fundamental.

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Sem categoria | qui, 14 de fevereiro às 17:30 • 43 comentários10.641 views

O seu dinheiro no BBB

Por: Frederico Fagundes

Recebi um e-mail bem interessante - coisa rara nos dias de hoje. Trata-se de um artigo do jornalista José Nêumanne Pinto, comentarista diário da Rádio Jovem Pan e colunista do Cineclik. Nêumanne, que durante a infância sofreu com o apelido de Zé Pinto, fez uma interessante observação do Big Brother Brasil.

Nada mais atual. Portanto, em cima do artigo do jornalista, vamos citar mais alguns detalhes.

No paredão da última terça-feira, 28 milhões de pessoas votaram. Desses, 15 milhões votaram por telefone. Colocando o preço da ligação a R$ 0,30, teremos R$ 4.500.000,00. Exatamente, quatro milhões e quinhentos mil reais gastos em telefonemas. Só em telefonemas.

Quantos participantes tem o BBB8? Quatorze? Ok, deduzindo que no final ficarão três, teremos até o último dia de programa 11 paredões. Mantendo uma média de 15 milhões de ligações por paredão, o saldo será de R$ 49.500.000,00. No último paredão os números devem subir para 20 milhões de ligações. Ou seja, somando com os R$ 49.500.000,00, o saldo final do Big Brother deve ser R$ 55.500.000,00.

Cinqüenta e cinco milhões e quinhentos mil reais. Isso o brasileiro deve gastar até o final do BBB. Não me irrita o fato da Rede Globo ou a empresa telefônica ganhar toda essa bolada, o que irrita é ver o brasileiro gastando tudo isso em algo que “nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dele desfruta; só mostra a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, conseqüentemente, daqueles que só bebem dessa fonte”.

Nem mesmo a Unicef, com o Didi apresentando o Criança Esperança, arrecada todo esse dinheiro. Talvez nem a metade. Sabe porque? Eu explico. Muitos brasileiros dizem que o dinheiro do Criança Esperança não vai para as crianças, mas sim para a Rede Globo.

A mesma Rede Globo que produz o Big Brother.

O brasileiro que gasta oito milhões de reais numa noite é o mesmo que reclama do político corrupto. Chega de procurar desculpas quando a resposta está em nós mesmos.

Não basta reclamar. O umbigo deve ser visto.

Esse é o Brasil. Mas as praias são lindas.

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Sem categoria | qui, 07 de fevereiro às 17:00 • 59 comentários16.351 views

Um gaudério e sua Fanta Uva

Por: Frederico Fagundes

Tenho um amigo de Boa Vista do Buricá (RS) que veio morar em Cuiabá (MT). Ele nunca havia andando de avião, elevador ou escada rolante. Achou o máximo quando o levei para conhecer um estúdio de televisão. Isso foi em 2003. Tudo era novidade para o cara. Inclusive a noite.

Não noite noite. Noite de sair, bares, danceterias e afins. Segundo o mesmo, os finais de semana dele eram repletos de truco com os amigos e uns garrafões de vinho. Não conhecia boates e muito menos discotecas. Levei o Clóvis - chamaremos ele de Clóvis para mantermos o anonimato - numa boate de Cuiabá que, durante certo período, era a melhor da região. O nome não importa. Clóvis estava lá.

Bem vestido, goma no cabelo, sapato brilhando. Entrou como se fosse o dono do bordel. Peito estufado, olhar superior e um certo sorriso de glória estampado no rosto. Eis que, num momento de pura magia, se dirige ao bar, sedento por uma bebida.

Antes, dirige-se a mim e diz:

Hoje vou radicalizar…

Eu senti medo. Talvez mais curiosidade do que medo. O que seria o radical do radicalizar de Clóvis? O momento mais alucinante que ele passou na vida foi quando uma boiada estourou e invadiu a agência dos Correios em Boa Vista do Buricá. O que faria Clóvis, na boate, com goma no cabelo?

Ele foi até o bar, olhou feio para um playboy que esbarrou no seu ombro, virou-se até o barman e disse, com entonação e velocidade na medida:

- Me vê uma Fanta Uva.

Ele assim ele saiu, munido de tal bebida, orgulhoso. Não precisava de mais nada. A combinação perfeita para Clóvis era essa. Um refrigerante de frutas com música eletrônica.

Mas ele queria mais. Num breve momento de ousadia, ousou:

- Com limão e gelo.

Fanta Uva com limão e gelo. Esse era o Clovis. Gaudério, aqui limitou-se a bebida gaseificada de sabor doce com um toque de resfriada fruta cítrica. Nem parecia o cara que cresceu tomando água quente com mato.

Essa cidade grande transforma qualquer um em fresco. Maldita cidade grande.

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Videos | qui, 31 de janeiro às 14:30 • 47 comentários15.130 views

O funk é Freud

Quem é usuário do Xpock já notou que toda sexta-feira nós temos uma coluna feita pelo pessoal do Cinema com Rapadura! Agora temos mais uma novidade, um novo colunista que marcará presença toda quinta-feira aqui pelo Xpock!

Antes de revelar quem é o elemento, gostaria que todos soubessem que é uma honra podermos contar com os textos desse jornalista, formador de opinião e responsável por um dos melhores e maiores blogs de entretenimento do Brasil!

Tá bom, chega de elogios! Agora leiam e prestigiem nosso mais novo colunista!

* * * * *

Por: Frederico Fagundes

Levanto da cama todos os dias por volta de 6h da manhã. É uma obrigação, mas há um toque de crueldade nesse ritual. Não acordo com o tradicional “ring†do despertador, “bip†do relógio ou, para os mais modernos, toque polifônico do celular. Sou suavemente agredido com um funk. Todos os dias, de segunda à segunda, às 6h da madrugada.

Corta

Freud achava a música uma atividade inferior. Faz sentido, haja vista que, quando você faz um festival de música, aparecem de quatro a cinco mil inscritos. Resumindo: qualquer imbecil analfabeto pode fazer uma música; trata-se de uma atividade sensorial. Não é de hoje, mas o sensorial é moda. Estamos falando de algo que atinge a culminância da cultura intelectual e lógica.

Ou seja, merdas vendem. Hoje em dia qualquer Latino pega um violão e, seguindo tal fórmula mágica – refrão com muitas vogais, queda, refrão com muitas vogais, palminha na mão e refrão com muitas vogais- , fatura milhões. Entendeu, eles não ganham por mérito deles. Eles ganham por que vendem mais.

Eu tenho medo que o funk vire no Brasil o que o Hip Hop tornou-se nos Estados Unidos. Depois da difusão do Hip Hop via MTV, a boa música americana, que já era escassa, morreu. E hoje fala-se muito da Dança do Creu. Pois preparem-se, aí vem o Carnaval. Muita lombar será destruída até a quarta-feira de cinzas.

Fico pensando se Freud gostaria de Funk. Pois sim, gostaria. Freud só gostava de Mozart, que qualquer idiota entende, e adorava Carmen, que é opera dos que não entendem de Opera. Talvez Freud não entendesse muito de música.

Ou a desgraçada da minha vizinha adore Freud.

Nota do blogueiro: O que o Chico Buarque tá esperando pra voltar a escrever? Um novo golpe militar?

Contribuíram para a coluna: Emanuel Santana e O Pasquim

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