Isso me faz lembrar algo que aconteceu com o Alicate, grande zagueiro daquele nosso time do Canachuê em 2000/2001. Mas antes, preciso contar quem era Alicate.
Alicate tinha as pernas tortas, tortinhas de dar dó. Mas era zagueiro. Sempre preferiu o Rivarolla, achava o Gamarra muito metrosexual. Alicate não sorria. Ganhamos muitos jogos graças a aquele abençoado cotovelo.
Pois bem, em meados de 2001, quando comemorávamos num bar mais uma vitória sobre os frescos do Santa Rosa, uma jovem, baixa e de seios grandes deu bola para o nosso amigo. Volta e meia ela olhava, sorria, olhava de novo, bebia e, no final, sempre sorria. Alicate viu, eu vi, todos viram que aquela era a noite do zagueiro.
Bastou poucos minutos para os dois saÃrem em direção a um motel. No bar, festejávamos a vitória do time. No carro, Alicate via que a festa estava apenas começando. No quarto do motel, ela se fez.
Enquanto os dois já copulavam, a jovem, baixa e peituda surpreendeu seu amante. Num breve momento de insanidade sexual, disse: “Me xinga!â€.
E disse de novo, silabicamente e em caixa alta: “ME XIN-GA!â€.
Alicate não sabia o que fazer. Não esperava aquela situação, não tinha ouvido falar de mulheres que gostavam de ser xingadas, não entendia dessas coisas. Ele era um cara tradicional, nem de preliminares gostava.
Quando a jovem, baixa e peituda já perdia a paciência e gritava aos socos “me xinga, me xinga, me xingaâ€, Alicate, enfim, xingou:
- “Sua gorda!â€.
A respiração foi diminuindo, o nheconheco da cama não existia mais e os únicos gemidos eram do filme vagabundo que passava na TV. A jovem, baixa e peituda levantou-se, vestiu-se e, antes de exigir que fosse levada embora, xingou.
- “Seu zagueiroâ€.
Esse era o problema de Alicate. Ele era zagueiro. Nunca será um, tipo, meia esquerda.
É preciso inovar, estamos ficando chatos e comerciais demais. O leitor percebe e, uma hora, cansa. Talvez esse profissionalismo todo, o chamado problogger, tenha atrapalhado. As coisas eram melhores quando tudo era amador. Sem grande pretensão.
Nada mais atual. Portanto, em cima do artigo do jornalista, vamos citar mais alguns detalhes.
No paredão da última terça-feira, 28 milhões de pessoas votaram. Desses, 15 milhões votaram por telefone. Colocando o preço da ligação a R$ 0,30, teremos R$ 4.500.000,00. Exatamente, quatro milhões e quinhentos mil reais gastos em telefonemas. Só em telefonemas.
Nem mesmo a Unicef, com o Didi apresentando o Criança Esperança, arrecada todo esse dinheiro. Talvez nem a metade. Sabe porque? Eu explico. Muitos brasileiros dizem que o dinheiro do Criança Esperança não vai para as crianças, mas sim para a Rede Globo.
Tenho um amigo de Boa Vista do Buricá (RS) que veio morar em Cuiabá (MT). Ele nunca havia andando de avião, elevador ou escada rolante. Achou o máximo quando o levei para conhecer um estúdio de televisão. Isso foi em 2003. Tudo era novidade para o cara. Inclusive a noite.
Não noite noite. Noite de sair, bares, danceterias e afins. Segundo o mesmo, os finais de semana dele eram repletos de truco com os amigos e uns garrafões de vinho. Não conhecia boates e muito menos discotecas. Levei o Clóvis - chamaremos ele de Clóvis para mantermos o anonimato - numa boate de Cuiabá que, durante certo perÃodo, era a melhor da região. O nome não importa. Clóvis estava lá.
Bem vestido, goma no cabelo, sapato brilhando. Entrou como se fosse o dono do bordel. Peito estufado, olhar superior e um certo sorriso de glória estampado no rosto. Eis que, num momento de pura magia, se dirige ao bar, sedento por uma bebida.
Antes, dirige-se a mim e diz:
Hoje vou radicalizar…
Eu senti medo. Talvez mais curiosidade do que medo. O que seria o radical do radicalizar de Clóvis? O momento mais alucinante que ele passou na vida foi quando uma boiada estourou e invadiu a agência dos Correios em Boa Vista do Buricá. O que faria Clóvis, na boate, com goma no cabelo?
Ele assim ele saiu, munido de tal bebida, orgulhoso. Não precisava de mais nada. A combinação perfeita para Clóvis era essa. Um refrigerante de frutas com música eletrônica.
Mas ele queria mais. Num breve momento de ousadia, ousou:
Levanto da cama todos os dias por volta de 6h da manhã. É uma obrigação, mas há um toque de crueldade nesse ritual. Não acordo com o tradicional “ring†do despertador, “bip†do relógio ou, para os mais modernos, toque polifônico do celular. Sou suavemente agredido com um funk. Todos os dias, de segunda à segunda, às 6h da madrugada.